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Avaliação Vale S.A. – Vale a pena investir?

Quando se fala em investimento em ações é difícil não pensar na empresa Vale, afinal de contas, está sempre entre as empresas mais valiosas do país, e é simplesmente uma das maiores mineradoras do mundo, com negócios e exportações para todas as regiões do planeta, sendo um ícone do nosso país e uma das nossas maiores multinacionais, com posição de liderança nos segmentos de minério de ferro e níquel. Por conta disso, muitas pessoas quando estão interessadas em investir no mercado financeiro, olham para a Vale, por ser, em tese, uma companhia bastante segura, lucrativa e que domina seu mercado.

Atualmente a Vale é uma Golden Share. É uma ação que permanece sob controle do poder público, mesmo depois de ser privatizada, a fim de manter o poder de decisão e veto para situações que sejam de interesse estratégico.  O governo possui 12 golden shares na mineradora, englobando alguns poderes.

HISTÓRICO OPERACIONAL

A Vale por ser uma mineradora, está naturalmente exposta às variações das commodities, e principalmente, à variação do minério de ferro. Assim, em períodos que o minério de ferro sofre retrações consideráveis em seus preços, os resultados da Vale são impactados expressivamente, impactando também o seu ROE, e por conta disso, em termos operacionais a empresa apresenta alguns períodos de instabilidade, como podemos verificar no gráfico de lucros da companhia abaixo:

Após ter atingido lucros recordes em 2011 por conta de um preço de minério que beirava os U$ 200,00 a companhia viu nos anos seguintes seus lucros despencarem, inclusive atingindo prejuízos relevantes de cerca de R$ 40Bi em 2015, principalmente por conta da grande retração dos preços de minério, impactados por uma menor demanda da China e uma maior quantidade de concorrentes no mercado, que acabou por elevar a oferta e a produção global do minério, levando a expressivas retrações nos preços. Somente a partir de 2017 a empresa começou a reverter o quadro de prejuízos apresentando lucro, mas que ainda não chegou aos maiores patamares históricos.

Abaixo podemos ver a cotação do minério de ferro no mercado futuro. O desempenho da Vale está diretamente relacionado.

A Vale é uma empresa que historicamente apresenta boas margens bruta e margem EBIT, superiores a 40%, a não ser em períodos de baixa do minério de ferro. Isso prova que em momentos de bonança a empresa é capaz de ser muito resiliente. Podemos ver este histórico na imagem abaixo:

No 2T20, o Fluxo de Caixa Livre das Operações foi de US$ 277 milhões e o caixa e equivalentes de caixa aumentaram em US$ 496 milhões. O trimestre foi marcado pelo impacto negativo da variação do capital de giro, devido principalmente, ao baixo recebimento de clientes no trimestre (US$ 922 milhões), causado principalmente, pelo aumento nas vendas CFR (frotas e frete) no 2T20 concentradas em junho.

A empresa vem apresentando bom aumento do seu EBITDA ao longo do tempo, isso reforça o resultado operacional da empresa, sendo capaz de gerar caixa.

A dívida bruta totalizou US$ 16,903 bilhões em 30 de junho de 2020, uma redução de US$ 172 milhões em relação a 31 de março de 2020, principalmente como resultado da amortização de dívida. A dívida líquida permaneceu relativamente estável em US$ 4,697 bilhões em 30 de junho de 2020, em seu nível mais baixo desde o 4T08, com redução de US$ 111 milhões em relação aos US$ 4,808 bilhões em 31 de março de 2020. O leve declínio na dívida líquida é devido principalmente à geração de caixa no período, compensada pelas variações cambiais.

O prazo médio da dívida reduziu-se para 7,1 anos em 30 de junho de 2020, contra 7,3 anos em 31 de março de 2020.

RISCOS

Apesar de ser uma empresa consolidada, de longo histórico no mercado, a Vale apresenta alguns riscos inerentes à sua atividade, e por conta disso, resolvemos listar alguns dos principais riscos que avaliamos serem importantes e devem ser considerados antes de se investir em ações da Vale.

Impactos Ambientais – Acidentes recentes como em Mariana e Brumadinha põe em xeque a credibilidade da Vale. Como vimos acima no gráfico de fluxo de caixa da empresa, o acidente em Brumadinho traz até hoje impactos negativos a ela. Preocupações com relação a ESG (Boa governança social e ambiental) pelos investidores, deixam a empresa com certa desconfiança no mercado.

Desaceleração da China e desvalorização do minério de ferro – A China vem crescendo de forma expressiva nos últimos anos, porém nada impede que o país sofra uma desaceleração gradual ou mesmo drástica, interrompendo assim a demanda por minério de ferro e causando provavelmente uma desvalorização da commodity, o que impactaria diretamente os resultados da Vale, que tem alta dependência desse produto e do mercado chinês.

Interrupção do processo de urbanização da Índia, Ásia e África – O processo de urbanização da Índia, países da Ásia e África, em geral, são pontos positivos e fatores que contribuem para a expansão das exportações da Vale, tanto no presente, quanto no futuro visando o longo prazo. Uma interrupção no processo de urbanização desses países pode trazer impactos relevantes à Vale e a mesma enfrentar uma maior dificuldade de crescimento no futuro.

CONCLUSÃO

Atualmente cotada por volta de R$ 58,00 (VALE3), as ações da Vale negociam com múltiplos elevados, com um P/L de 48, sinalizando que o mercado está otimista com a empresa e acreditando nos bons resultados do minério de ferro e do lucro da Vale. Em comparação com empresas de porte similar pelo mundo, como a BHP Billiton, hoje a Vale está precificada 3x mais do que sua concorrente.

A empresa vem conseguindo controlar sua dívida ao longo do tempo, apenas saindo desse rumo durante 2020 por conta da pandemia. Este endividamento ter subido, atrapalha os planos da empresa, pelo menos no curto prazo, mas nada que tire os méritos recentes.

A empresa atualmente tem um dividend yield de 6,5%. Um excelente indicador em se tratando de uma empresa de mineração.

Por fim, entendemos que a Vale seja uma empresa interessante, com uma gestão que tem demonstrado eficiência em entregar valor aos acionistas, e com uma maior eficiência produtiva com redução de custos, além de uma contínua demanda crescente pelo minério de ferro ao redor do mundo, a companhia deverá entregar bons resultados aos seus acionistas no longo prazo. Impactos negativos relacionados aos desastres ambientais afetam a empresa. Mudança de postura com relação a isso se faz necessária para o futuro da Vale. Acreditamos que as expectativas estão elevadas no momento, apesar de ser uma empresa de valor, hoje pode estar cotada a um preço alto, instruindo o investidor a ter cautela neste momento ou fazer seu preço médio ao longo do tempo.

CRITÉRIOS PARA ANÁLISE – VALE

Indicador    É ideal que seja:           Vale         (VALE3)    Resultado
Distribuiu dividendos nos  últimos 3 anos?SIMSim           
P/VPAMenor do que 21,65         
ROEMaior do que 10%3,4%        X
   Dívida Líquida/Patrimônio LíquidoMenor do que 50%19%        
Liquidez CorrenteMaior do que 1,5x1,82x        
    Possui bom nível de governança?SIMEm partes      –
Teve lucros constantes nos últimos 5 anos?SIMNão        X

INDICADORES PETROBRÁS (PETR3)

P/L (Preço/Lucro)48,12
Peg RatioNão se aplica
DY (Dividend Yeld)6,5%
P/VPA (Preço/Valor Patrimonial por Ação)1,65
EV/EBITDA4,33
ROE (Return On Equity)3,4%
ROIC (Return On Invested Capital)17,0%
DL (Dívida Líquida)R$ 35,3 bilhões
DL/EBITDA0,82x
DL/Patrimônio Líquido0,19x
Margem Bruta42,8%
Margem Operacional41,4%
Margem Líquida2,5%
Liquidez Corrente1,82x
Nível de GovernançaNovo Mercado
Lucros ConstantesNão

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