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Avaliação Petrobrás – Vale a pena investir?

A Petrobras é, com toda certeza, uma das empresas mais lembradas e que mais atrai a atenção de investidores e interessados em investir na Bolsa de Valores. Alvo de inúmeras investigações, escândalos de corrupção e com uma gestão que se mostrou ineficiente nos últimos anos, vem se recuperando com a proposta de uma nova gestão.

A Petrobrás é uma petrolífera brasileira, constituída como sociedade anônima de capital aberto e negociada na B3 sob os códigos PETR3 E PETR4. Sua atividade principal é a exploração e produção de petróleo, além de refinamento, comercialização e transporte de petróleo e gás natural.

HISTÓRICO OPERACIONAL

 Em termos operacionais, a empresa apresentou um forte crescimento no início nos anos 2000, com uma lucratividade que saltou de menos de R$ 2 bilhões em 1999, para mais de R$ 35 bilhões em 2010.

Enfrentando, porém, uma retração de resultados nos anos seguintes, chegando a amargar grandes prejuízos nos últimos anos. Em 2014, por exemplo, a companhia finalizou o ano com um prejuízo líquido de R$ 26,6 bi, impactada principalmente pelo reconhecimento de desvalorização de ativos (impairment) devido aos esquemas de corrupção e gastos adicionais capitalizados indevidamente no ativo por conta de desvios de dinheiro e pagamentos indevidos.

Já em 2017, sob a gestão do novo presidente, Pedro Parente, a companhia iniciou o ano operacionalmente melhor, além dos preços mais elevados do petróleo, menores despesas operacionais e menores gastos com importações de petróleo e gás natural, a companhia conseguiu melhorar de forma relevante seus resultados que vinham crescendo até o início de 2020. Com a eclosão da pandemia mundial do coronavírus, a empresa sofreu os impactos e amargou prejuízos, mas que devem ser recuperados no médio prazo, retornando a empresa a apresentar os bons resultados recentes.

A margem bruta e margem EBIT nos últimos anos também são pontos positivos, mostrando franca recuperação desde 2015 principalmente, chegando a margem EBIT ser de 30% em 2020, um bom indicador, entretanto, mostrou-se ao longo do tempo bem instável, o que gera preocupação.

O EBITDA da empresa, mostrado no gráfico abaixo também cresceu nos últimos anos, isso sinaliza um bom resultado operacional da empresa, sendo uma forte geração de caixa, ideal para enfrentar períodos de crise como vivenciamos agora.

O ROIC, outro importante indicador, também se estabilizou, apresentando inclusive um leve crescimento nos últimos anos, se mantendo superior a 10%, o que pode ser considerado um bom número.  Porém o ROE que seria o retorno sobre o patrimônio, sempre foi muito baixo e instável, não trazendo atratividade ao papel, como visto abaixo.

RISCOS

Dentre os principais riscos que envolvem o investimento na Petrobras e que devem ser avaliados cuidadosamente pelos investidores antes de tomarem quaisquer decisões estão:

 Risco de intervenção e ingerência política – Por ser uma empresa estatal, controlada pelo governo federal, a Petrobras naturalmente está exposta à intervenções do governo. Tais intervenções e influências políticas podem comprometer a saúde, já fragilizada, da empresa e os governantes podem tomar decisões que não sejam benéficas para a Petrobras em troca de benefícios políticos, apoio de partidos, etc. Esse é um dos vários motivos que nos leva, em geral, a evitar estatais. Além disso, é possível que novos escândalos sejam descobertos ou venham a envolver a companhia, o que a coloca em um patamar bastante elevado de risco.

 Risco da alta alavancagem – Atualmente a dívida da Petrobras é muito elevada, com uma relação Dívida Bruta/ Patrimônio de 2,1 vezes e uma dívida líquida de mais de R$ 390 bilhões. Tal endividamento vem sendo reduzido, porém, não podemos garantir a eficácia e a manutenção das medidas de desalavancagem que estão sendo realizadas pela atual gestão. Caso a dívida volte a atingir proporções muito elevadas, isso pode comprometer gravemente os resultados da empresa.

CONCLUSÃO

 Considerados os fatores ao longo dessa avaliação como a instabilidade de lucros, o alto endividamento, baixo ROE histórico e, principalmente, os riscos que a empresa carrega por estar envolvida em escândalos e esquemas de corrupção bilionários, nos deixam desconfortáveis quanto à empresa e suas perspectivas futuras.

Além disso, o fato da Petrobras ter um histórico de dividendos instáveis e inconsistentes também não nos agrada. Apesar de uma melhora imediata que vem sendo notada na gestão e nos números da empresa, a possibilidade de interrupção da continuidade da atual gestão por conta de uma influência política é um dos maiores motivos que nos deixam desconfortáveis com a empresa, e por conta disso, entendemos que há opções melhores, mais rentáveis e com menos riscos no mercado.

 É uma empresa com capacidade – e muita – de gerar resultados, através de uma futura privatização ou gestões seguidas e eficientes garantindo um padrão de excelência, possam fazer com que a empresa seja mais atrativa e um bom investimento, o que hoje não se aplica.

CRITÉRIOS PARA ANÁLISE – PETROBRÁS

Indicador    É ideal que seja:      Petrobrás         (PETR3)    Resultado
P/LMenor do que 15-8,46         X
Peg RatioMaior do que 1Não se aplica         X
Distribuiu dividendos nos  últimos 3 anos?SIMSim       OK
P/VPAMenor do que 21,18       OK
ROEMaior do que 10%-14%         X
Dívida Líquida/EBITDAMenor do que 3x6,29         X
   Dívida Líquida/Patrimônio LíquidoMenor do que 50%161%         X
Margem LíquidaMaior do que 10%-12,7%         X
Liquidez CorrenteMaior do que 1,5x1,40         X
    Possui bom nível de governança?SIMNão         X
Teve lucros constantes nos últimos 5 anos?SIMNão         X

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