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Avaliação Itaú – Vale a pena investir?

Investir em bancos no Brasil, em geral, na maioria das vezes foi um bom negócio, ainda mais em se tratando de um banco sólido e consolidado como o Itaú.

O Itaú Unibanco é uma empresa de capital aberto que atua no Brasil e no exterior na atividade bancária e em todas demais modalidades de crédito, como crédito imobiliário, financiamento, investimentos e arrendamento mercantil, além de operações de câmbio e outras atividades complementares como capitalização, corretagem e valores mobiliários, cartões de crédito, seguros, fundos de investimento, equity, etc. O Itaú Unibanco S.A surgiu da união do Itaú e Unibanco em 2008, uma das maiores fusões da história do Brasil, sendo criado, desde então, a maior instituição financeira do país e o maior banco da América Latina. Hoje ele possui presença em 18 países além do Brasil. A atuação do banco abrange a América do Norte, América Central, Europa, Ásia e Oriente Médio, além de forte atuação na América Latina, onde possui atividades em 7 países.

Itaú hoje é o maior banco privado do Brasil, com um valor de mercado de cerca de R$ 210 bilhões, e um lucro anual (Com base em 2019) de R$ 27,8 bilhões, sendo também o banco mais lucrativo de todos os bancos brasileiros. Sendo assim tão grande, com uma lucratividade tão expressiva, e com uma base de correntistas e clientes tão alta (Chegando a mais de 50 milhões de clientes considerando as operações de cartão de crédito), será que vale a pena investir no Itaú (ITUB3 / ITUB4)?

HISTÓRICO OPERACIONAL

Em termos operacionais o Itaú Unibanco apresenta números muito interessantes, com um lucro que superou os R$ 27,8 bilhões em 2019, e um ROE (Return on Equity) de mais de 20%. Historicamente os resultados do banco evoluíram de forma expressiva, gerando grande valor aos seus acionistas nas últimas décadas. Em 2019 o banco fechou com um resultado líquido muito forte, com evolução visível desde 2018, vindo a cair em 2020 pelo efeito adverso da economia durante a pandemia. Como pode ser visto, os proventos pagos também evoluíram muito ao longo do tempo, tornando o banco um ótimo pagador de dividendos. Tudo isso junto, fizeram com que a cotação da empresa fosse em conjunto com seus números, gerando valorização ao acionista.

Um dos grandes diferenciais do banco é sua capacidade de entregam valor aos acionistas através do ROE, o lucro líquido sobre o patrimônio da empresa. Historicamente apresenta bons números desse indicador de desempenho, sendo superior a concorrentes mundo a fora, fazendo do Itaú, um dos bancos mais rentáveis do mundo e mostrando a força do setor no Brasil. Como pode ser visto no gráfico abaixo, o Itaú tem seu ROE em níveis elevados e estáveis, por vezes superando os 20%.

O PDD (Provisão de Devedores Duvidosos) aumentou de forma tímida até 2019, contudo, assim como no cenário de todos os bancos do país, cresceu bastante, muito pelo fato da situação econômica do país devido a pandemia. Aumenta-se assim o risco de calote por parte dos clientes, mas o Itaú tem uma reserva sólida para cobertura desses calotes para prazos acima de 90 dias.

ESTRATÉGIAS DE AQUISIÇÕES E CRESCIMENTO

Fundamental em sua estratégia de crescimento e na evolução de seus números operacionais estão as aquisições estratégicas que o Itaú Unibanco realizou durante sua história, de forma a maximizar os resultados do banco e expandir suas operações. Gostamos da flexibilidade do Itaú em termos de negociação e a estratégia de arquitetar uma estrutura que tenha uma governança que seja positiva para todos os lados e crie valor aos acionistas e aos clientes, sem abrir mão de rentabilidade. A compra estratégica em 1996 do Banco Francês e Brasileiro (BFB), por exemplo, que viria a se tornar Itaú Personnalité, que opera no segmento de alta renda, foi uma das aquisições pontuais e fundamentais que o banco realizou. Outra aquisição fundamental e valiosa foi em 2006, quando o Itaú realizou a compra do Bank of Boston, operação importante que contribuiu para a consolidação do Banco, que acrescentou mais de R$ 20 bilhões em ativos à carteira do Itaú, e em 2012, Itaú Unibanco fechou o capital da Redecard, grande empresa que opera no segmento de transações via cartão de crédito, essa operação movimentou R$ 11,3 bi e contribuiu positivamente para o crescimento da empresa, em um dos setores de maior crescimento. Entre outras operações do banco estão a compra do BBA Creditanstalt, em 2002, Recovery, companhia líder de mercado de gestão de portfólios de créditos atrasados, Itaú BMG, ConectCar, união com Porto Seguro, dentre outras. A aquisição mais recente, e também mais relevante, foi a aquisição de fatia minoritária da XP Holding, Holding que controla a XP Investimentos. A operação envolveu a compra de 49,9% do capital da XP Holding, através do investimento de R$ 5,7 bi e um aporte de R$ 600 mi. Além disso, o fato do banco ter a possibilidade de adquirir participação majoritária nos próximos anos na XP Holding, torna a operação mais flexível, e vantajosa. A aquisição da XP foi acertadamente uma das maiores aquisições do Itaú, multiplicando seu valor de mercado nos últimos anos e gerando altos retornos ao banco. Apenas em 2020, a XP Inc. registrou lucro líquido ajustado de R$ 565 milhões no segundo trimestre, alta de 148% em relação ao mesmo período do ano anterior.

RISCOS

Regulamentações – Discussões sobre limitação da cobrança de juros do cheque especial a cartão de crédito a 30% a.a., interferindo nas margens dos bancos em geral.

Reforma tributária – Uma reforma tributária abrangente seria algo positivo para o país, mas em se tratando do setor bancário isso seria uma desvantagem, desde que ocorra aumento significativo na carga tributária para o setor.

Fintechs e bancos digitais – Apesar dos grandes bancos estarem inovando, principalmente quanto a parte digital, estes novos entrantes podem representar uma maior competitividade e ameaça ao banco.

PIX – Estima-se que o Pix afete a receita dos grandes bancos em cerca de 3%. Pelo menos no curto prazo este efeito poderá ser sentido, apesar do banco ser capaz de contornar esta pequena queda.

CONCLUSÃO

É inegável que o Itaú entregou ótimos resultados no longo prazo aos acionistas e poderá vir a continuar entregando. Atualmente, devido aos efeitos da pandemia, o número de provedores duvidosos aumentou bastante, além do lucro ter caído significativamente para todo o setor. Ainda é incerto qual o prazo de recuperação para os bancos, inclusive o mercado vive um momento de cautela.

No auge de seus resultados, no fim de 2019, as ações do Itaú eram negociadas a cerca de R$ 32,00. Hoje estão cotadas a pouco mais de R$ 21,00 representando uma queda que chega a mais de 33% no período.

Apresenta um múltiplo P/L de cerca de 10 vezes, o que consideramos atrativo, dado o histórico, a qualidade e o perfil único do banco. Quando olhamos para o P/L histórico, vemos que o patamar ainda é interessante.

O Itaú tem ROE maior do que grandes bancos mundiais como Wels Fargo e Bank of America, entre outros bancos americanos e europeus, o que mostra sua superioridade e capacidade diferenciada de gerar retorno, sendo, portanto, dos bancos mais rentáveis do planeta.

Em nossa visão, Itaú é uma boa opção de investimento, e acreditamos que o investidor que opte por iniciar compras no ativo deverá colher bons frutos no longo prazo e um bom fluxo de dividendos. O cenário atual é incerto, inclusive quanto a volta do pagamento dos mesmos dividendos do passado, mas o banco apresenta preço bem descontado com relação ao início do ano, e como perspectivas para o futuro, encontra-se em boa oportunidade de investimento no momento.

CRITÉRIOS PARA ANÁLISE – ITAÚ

Indicador    É ideal que seja:           Itaú         (ITUB3)    Resultado
Distribuiu dividendos nos  últimos 3 anos?SIMSim           
P/VPAMenor do que 21,65         
ROEMaior do que 10%15,8%      
   Dívida Líquida/Patrimônio LíquidoMenor do que 50%      Não se aplica              
Liquidez CorrenteMaior do que 1,5x      Não se aplica         –
    Possui bom nível de governança?SIMSim       ✔
Teve lucros constantes nos últimos 5 anos?SIMSim       ✔

INDICADORES ITAÚ (ITUB3)

P/L (Preço/Lucro)10,50
Peg RatioNão se aplica
DY (Dividend Yeld)5,9%
P/VPA (Preço/Valor Patrimonial por Ação)1,65
EV/EBITDA
ROE (Return On Equity)15,8%
ROIC (Return On Invested Capital)
DL (Dívida Líquida)
DL/EBITDA
DL/Patrimônio Líquido
Margem Bruta53,9%
Margem Operacional1,16%
Margem Líquida9,8%
Liquidez Corrente
Nível de GovernançaNível 1
Lucros ConstantesSim

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