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COMO MONTAR A SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA?

Uma das belezas da vida é que não sabemos o que acontecerá em seguida: poderá ser uma grata surpresa ou uma situação não muito agradável. A vida não é linear e altos e baixos fazem parte de nosso dia a dia.

Contudo, verdadeiramente acreditamos que é possível nos preparamos para esses momentos. Não necessariamente iremos evitar que eles ocorram. Pelo contrário, imprevistos ocorrerão. Mas por meio de um bom planejamento financeiro, englobando estratégias de proteção da renda e do patrimônio, podemos, pelo menos, minorar os efeitos desses imprevistos em nossas vidas

Uma das principais bases de um bom planejamento financeiro é ter mecanismos de proteção da renda e do patrimônio. Esses mecanismos, basicamente, desdobram-se em dois: contratação de seguros e formação de uma reserva de emergência.

Neste artigo, não iremos abordar o tema seguros. Trabalharemos os principais pontos para você formar uma boa reserva de emergência.

Antes de iniciarmos, gostaríamos de fazer algumas perguntas: Você possui uma reserva de emergência? Em caso de eventual desemprego ou perda drástica de sua renda, por quanto tempo sua reserva de emergência cobriria seus gastos? Em caso de um grande imprevisto, como uma doença ou mesmo um acidente, você teria de onde tirar recursos financeiros para cobrir essas despesas? E se aparecesse uma grande oportunidade de negócio, você teria uma reserva para confortá-lo nessa decisão?

Espero que você tenha respondido positivamente a todas as questões acima e assim nem precisará continuar a leitura deste artigo e poderá partir para a próxima etapa de seu planejamento de conquista da independência financeira.

Porém, caso tenha respondido “não” a uma das questões acima, recomendo que continue com a leitura, reflita sobre esse conteúdo, principalmente sobre o que tem feito com sua vida financeira, e comece a colocar imediatamente em prática as lições aqui aprendidas.

1. Reserva Financeira ou Reserva de Emergência?

Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer o motivo pelo qual preferimos denominar “Reserva Financeira” ao invés de “Reserva de Emergência”. Na prática, ambas produzirão os mesmos efeitos de segurança financeira para a nossa vida.

Contudo, particularmente, preferimos o termo “Reserva Financeira” por dois motivos: primeiro, quando se denomina “Reserva de Emergências”, atrai-se para sua vida nada mais do que emergências; coloca-se uma intenção negativa àquele dinheiro guardado (é a famosa frase que “você atrai aquilo que pensa”).

Em segundo lugar, quando se denomina essa poupança como “Reserva Financeira”, sua mente compreenderá aquele dinheiro como um instrumento de liberdade em sua vida, possibilitando-lhe não só cobrir eventuais emergências, mas também para aproveitar grandes oportunidades que a vida nos proporciona.

Sim, o dinheiro da Reserva Financeira não servirá somente para as grandes emergências que aparecem em sua vida. A Reserva Financeira poderá ser usada, por exemplo, para comprar aquele aparelho doméstico ou instrumento de trabalho necessários e que você conseguiu achar com um bom desconto, mas que ali na hora você não possui recursos vindos do salário para adquiri-lo e sabe que está diante de uma grande oportunidade. Ou, ainda, poderá ser usado para aplicar em um ativo financeiro que apresente grande oportunidade de investimento, podendo alavancar seus ganhos.

Contudo, faço o seguinte alerta: uma vez usado o dinheiro dessa Reserva Financeira, você assume um compromisso consigo mesmo, que é o de recompor a quantia usada, para não ocorrer o risco de ficar sem resguardo financeiro.

2. O que é Reserva Financeira?

Trata-se de uma quantia em dinheiro poupada e aplicada em ativos financeiros adequados, cuja finalidade é cobrir eventuais emergências (carro quebrado; problemas de saúde; desemprego) ou aproveitar possíveis grandes oportunidades que aparecem em nossas vidas.

Como já mencionado, é um dinheiro que somente será usado quando realmente for necessário. Não é um dinheiro para ser usado a todo momento, para cobrir despesas cotidianas, como pagar uma conta em um restaurante. Ela serve, primordialmente, para garantir sua estabilidade e sua segurança financeira. Ela é fundamental para o seu planejamento de conquista da independência financeira ter êxito.

3. Qual o tamanho da Reserva Financeira?

A quantia a ser destinada à Reserva Financeira será aquela necessária e suficiente para manter seu estilo de vida atual.

Em razão disso, quanto mais simplificado for seu padrão de vida, menos recursos financeiros você precisará destinar para essa reserva e, assim, poderá alocar seu dinheiro para a realização de sonhos e objetivos de vida.

Portanto, mais importante do que ter uma reserva financeira é possuir um orçamento doméstico com resiliência. Para isso, adote um padrão de consumo mais flexível, mais maleável, que lhe permitirá passar com mais tranquilidade pelos imprevistos, sem precisar usar sua reserva (exemplo: se houve um problema mecânico com o carro, adie aquele passeio do final de semana para o mês que vem até que você consiga equilibrar novamente o seu orçamento).

Tenha em mente que, quanto mais engessado for o seu orçamento (muitas prestações, financiamentos intermináveis, inúmeras assinaturas de produtos e serviços etc), menos resiliente será sua vida financeira e maior deverá ser sua reserva financeira.

A quantia a ser aplicada variará conforme à estabilidade empregatícia ou à alta empregabilidade.

Para quem possui estabilidade, como os funcionários públicos, recomenda-se o acúmulo equivalente a 03 meses de gastos mensais. Ou seja, se Fulano (a), funcionário (a) público (a), possui gastos mensais de R$5.000,00 (cinco mil reais), ele deverá poupar R$15.000,00 (quinze mil reais) para a sua reserva financeira (3 x R$5.000,00 = R$15.000,00).

Agora, se for empregado pelo regime CLT, recomenda-se guardar o equivalente a 06 meses de gastos mensais (no exemplo: 06 x R$5.000,00 = R$30.000,00).

Por fim, caso seja uma pessoa com baixa empregabilidade ou que não possui uma estabilidade no emprego ou, ainda, ser for um profissional autônomo, é consenso entre os financistas da necessidade de se poupar o equivalente a 12 meses (seguindo o exemplo acima: 12 x R$5.000,00 = 60.000,00).

4. Onde aplicar essa quantia?

Tenha sempre a consciência que a finalidade dessa reserva é garantir proteção e não multiplicação de seu patrimônio. Não será esse dinheiro guardado que te fará rico, mas ele será fundamental para o seu planejamento financeiro ser bem sucedido. Sem essa reserva, corre-se elevados riscos de seus planos fracassarem.

Tenha sempre em mente: não há que se falar em um bom planejamento financeiro se você não possuir mecanismos de proteção de sua renda e patrimônio, como uma reserva financeira.

Ao iniciar a montagem dessa reserva, pesquise os ativos financeiros que possuam as seguintes características:

1. Baixa volatilidade (ativos que possuem baixa oscilação);

2. Liquidez diária (facilidade em resgatar o dinheiro de forma imediata);

3. Fácil acesso (ativos que não necessitam de muita burocracia para serem resgatados; basta solicitar o resgate e o dinheiro está rapidamente disponível)

Ativos financeiros que possuem tais características são geralmente encontrados na Renda Fixa, podendo ser:

1. Tesouro Selic;

2. CDB com liquidez diária e que pague 100% do CDI;

3. Fundos de Investimento de Renda Fixa, com taxa de administração não superior a 0,5% a.a.;

4. Fundos DI;

5. LCI e LCA de bancos que paguem em torno de 85% do CDI e que tenham liquidez diária (estes produtos estão mais difíceis de serem encontrados)

O objetivo deste texto não é esmiuçar tais produtos financeiros. Isso será feito em textos futuros. O foco aqui é orientá-los na construção da respectiva reserva financeira.

5. Dois destaques

Por fim, dois pontos merecem destaque: primeiro é a tributação. Como é sabido, o Brasil figura como um dos países que mais tributam e os ativos financeiros acima mencionados, em sua maioria (salvo LCI e LCA que são isentas de IR) não ficaram de fora.

Tais produtos financeiros seguem a regra da tabela regressiva do Imposto de Renda, a qual funciona basicamente da seguinte forma: quanto maior o prazo de aplicação, menor será a alíquota do IR.

Confira abaixo como é a referida tabela:

PRAZO DE APLICAÇÃO ALÍQUOTA DE IR
Até 180 dias 22,5%
Entre 181 e 360 dias 20,0%
Entre 361 dias e 720 dias 17,5%
A partir de 721 dias 15,0%

Quando do resgate de parte do dinheiro colocado nessa reserva, esse resgate será da quantia mais antiga aplicada e assim a alíquota de tributação do IR será com base no período de aplicação dessa parte antiga que está sendo resgatada.

Em outras palavras, se Fulana aplica mensalmente R$1.000,00 em um Fundo DI e, após 07 meses de acúmulo de reserva financeira, ela necessita resgatar R$500,00 para cobrir uma emergência médica, esses R$500,00 sairão daquela primeira aplicação efetuada e a alíquota de IR será de 20,0%, pois o dinheiro ficou aplicado pelo período de 181 a 360 dias.

E o segundo ponto refere-se ao caso de existência de dívidas: deve-se primeiro montar a reserva financeira ou pagar a dívida? Nesse caso, a prioridade será resolver o problema, que é a dívida. O motivo é que o custo total efetivo (CET) da dívida é sempre maior do que os juros proporcionados pela Renda Fixa. Portanto, dê preferência à quitação da dívida. Feito isso, ai sim se inicia a formação da reserva financeira.

Conclusão

Acreditamos que com essas informações conseguimos conscientizá-los da importância de se construir e manter uma reserva financeira, que proporcionará maior qualidade de vida.

Construindo essa reserva e poder preservar seu estilo de vida quando se deparar com algum imprevisto, elimina-se o nefasto hábito da falta de planejamento para as situações da vida, sejam elas boas ou ruins.

Além disso, acreditamos que, mais do que construir uma reserva financeira, cada um necessita refletir e rever seu padrão de vida. Devemos todos, constantemente, estudar nossa vida financeira e nos questionar o que estamos fazendo com ela.

Com isso, temos certeza que evoluiremos para uma sociedade financeiramente educada e, por consequência, a um país mais próspero.

Será fácil? Não. Mas nosso futuro será muito mais difícil se, pelo menos, não nos planejarmos.

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