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COMO NÃO PERDER DINHEIRO NAS COMPRAS

Uma das frases mais repetidas em finanças pessoais e que resume bem como deve ser o nosso comportamento em relação ao dinheiro é a de que “o dinheiro não aceita desaforo”.

Tratando mal o dinheiro, com descuidos e negligência, ele nos deixará; e é no momento das compras que mais nos afastamos desses cuidados necessários com nosso dinheiro. Temos péssimos hábitos de consumo, dentre eles a inexistência um planejamento para as compras.

Não viemos aqui pregar o fim do consumo. Pelo contrário. Realizar compras é necessário para suprirmos nossas necessidades, faz parte do nosso dia a dia e, em alguns momentos, é uma fonte de prazer.

Porém, um consumo mais consciente e equilibrado é fundamental para atingirmos nossa independência financeira e construir um país mais sustentável. Lembrem-se: um país mais rico começa pelo nosso bolso. E para termos um bolso mais rico precisamos mudar alguns hábitos que nos levam ao desequilíbrio financeiro.

Para isso, elaboramos um roteiro de compras, descrevendo um passo a passo de como se comportar dentro de um processo de compra, o qual podemos dividir em pré-compra; durante as compras e o pós compra.

1) Pré-Compra:

Nessa primeira etapa, o potencial consumidor trabalhará a conscientização da compra e isso ocorrerá em dois momentos. Em um primeiro momento haverá a reflexão sobre a necessidade de se fazer tal compra. Essa reflexão se dará por meio de perguntas como:

– Eu preciso disso?

– O que isso irá agregar para a minha vida?

– Há alguma forma de conseguir isso de graça?

– Posso pagar isso à vista, inclusive usando o cartão de crédito para acumular milhas/pontos?

– Se não posso pagar à vista agora, é possível esperar acumular a quantia necessária para pagamento à vista?

– Quanto essa compra me afasta dos meus principais objetivos?

São algumas sugestões de perguntas, cuja função é nos levar a pensar, refletir sobre o consumo.

No início, provavelmente, haverá dificuldade em fazer essa reflexão, pois não estamos habituados a nos questionar sobre aquilo que julgamos correto para nós mesmo. Mas acredite e pratique esse autoquestionamento e certamente irá se surpreender com as respostas.

Após essa reflexão, decidindo-se pela compra, passa-se, então, para o segundo momento, que é o do planejamento da compra. Aqui, basicamente, deve-se definir metas de consumo, teto de gasto, prazo para a realização, os custos e onde o dinheiro destinado à compra será investindo.

Faça isso por escrito e deixe em algum lugar visível e de fácil acesso para consultas frequentes. Nunca saía de casa para comprar sem antes consultar esses apontamentos e seus extratos bancários e do cartão de crédito.

Realizado tudo isso, há a segunda etapa.

2) Durante as compras

Aqui é o momento em que haverá a utilização de técnicas e estratégias para não cair em armadilhas colocadas pelas lojas. Deve-se chegar à loja preparado para consumir com consciência e qualidade.

Destaco algumas estratégias e técnicas cabíveis à situação:

Ter atenção à comunicação utilizada e evitar se socializar com o vendedor: não precisa ser mal educado, mas também não é para se tornar um grande amigo do vendedor.

A loja não é um lugar de confraternização, mas sim onde há interesses em jogo: o vendedor quer vender o produto pelo melhor preço para ele, enquanto o cliente quer comprar o produto pelo melhor preço para o seu bolso. Então, se cair na armadilha do papo agradável e da suposta amizade com o vendedor, dificilmente você se sentirá confortável em negociar o preço ou, até mesmo, recusar os termos propostos;

Deixe os sentimentos fora da loja: evite demonstrar qualquer sinal de felicidade ou de satisfação ao se deparar com o produto que deseja enquanto estiver na loja. Isso dará um sinal ao vendedor que o seu lado emocional já comprou o produto e que agora só falta fazer o seu lado racional pagar por ele;

Leve consigo a lista de compras: atenha-se ao que consta nela, mas também procure deixar dinheiro separado para ser usado para aqueles produtos que porventura esqueceu de listar e pense algumas vezes se realmente é importante levar os produtos que não constavam na lista;

Elabore com seu/sua parceiro(a) uma estratégia de comportamento dentro da loja: evitem demonstrar muita empolgação ao encontrar o produto que queriam. Procurem olhar a vitrine da loja com certo desprezo (os vendedores recebem treinamento sobre linguagem corporal). Falem que só pretendem olhar o produto, pois possuem um igual em casa. Se notarem algum defeito ou algo que não agrade, apontem isso para o vendedor e explorem esse fato na hora de negociar o preço;

Negocie sempre: negocie o máximo que puder, levando em conta todas as formas de pagamento possíveis. Peça desconto ao vendedor. Assim que este atingir o máximo, passe a negociar com o gerente da loja, pois todos os produtos possuem uma margem de redução de preço;

Deixe para tomar a decisão sobre a compra fora da loja: evite decidir dentro da loja sob pressão do vendedor, que, muitas vezes, utiliza frases de incentivos à compra, tais como: “esse é o último produto aqui da loja e o preço está imperdível”, “tem outros clientes de olho e perguntando sobre esse produto”, “tem saído muitos desses produtos da loja” etc. Nessa hora, o ideal é sair da loja, dar mais uma volta, tomar um café e, depois disso, decidir se ainda precisa daquele bem.

3) Pós compra

Engana-se quem acredita que o processo de compra se encerrou quando a transação foi aprovada na loja e o produto já está em casa pronto para o uso.

Por vezes, aquilo que compramos não atende ao que esperávamos, seja porque o produto apresenta um defeito (existência de uma falha de segurança que pode ocasionar um acidente), seja porque apresenta um vício (o produto não funciona do jeito que esperava).

Nessas situações o consumidor lesado precisa buscar a reparação dos danos. Aliás, o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90) claramente deixa expresso que, em caso de defeito ou vício no produto, o consumidor tem direito à indenização.

Diante de alguma lesão a seu direito, recomenda-se ao consumidor procurar os órgãos de defesa ou, até mesmo, um advogado especialista na área para buscar a reparação dos danos.

No caso de vício no produto, o Código de Defesa do Consumidor impõe ao fornecedor o prazo de 30 (trinta) dias para sanar o problema. Assim, o consumidor lesado deve apresentar ao lojista o produto para que ele possa verificar a causa do problema e tomar as medidas cabíveis ao caso.

O mesmo Código confere ao consumidor a possibilidade de se tomar 03 (três) tipos de decisão caso o fornecedor não consiga sanar o vício dentro daquele prazo.

Ou seja, passado aquele prazo de 30 (trinta) dias sem uma resolução satisfatória, o consumidor poderá solicitar a substituição do produto por outro que esteja em perfeitas condições de uso, ou solicitar a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, podendo, ainda, reclamar perdas e danos, ou, então, poderá solicitar o abatimento proporcional do preço pago no produto que apresentou o vício.

Verdadeiramente acreditamos, caro investidor, que seguindo essas três etapas, você se tornará um consumidor mais consciente e terá um consumo com mais qualidade. Acima de tudo, você dará o devido valor ao seu dinheiro que foi conquistado com muito trabalho e dedicação.

Agindo dessa forma, você dará um grande passo para a conquista de sua independência financeira e para uma vida rica, podendo, então, realizar muitos sonhos de vida.

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